Em algum lugar entre Jurassic Park e o Met Gala, alguém teve uma ideia ousada:
E se fizéssemos bolsas... de pele de dinossauro?
Esse é o conceito por trás do Elemental X, um projeto futurista que afirma estar desenvolvendo couro cultivado em laboratório baseado no Hadrosaurus, um dinossauro com bico de pato e pele escamosa e texturizada. Você pode encontrar a proposta deles em lab-grown-leather.com/elementalx — embora sejamos honestos, é difícil dizer se isso é uma empresa real de biotecnologia ou apenas uma peça de performance artística muito elaborada.
Mas aqui está o ponto: não importa realmente se é real ou não. A ideia está aí, e está fazendo as pessoas falarem — e isso diz algo sobre para onde a moda (e a ficção científica) estão caminhando.
Então vamos analisar isso.
Primeiro: já temos vacas. E as usamos.
O couro, quando feito corretamente, é um subproduto. As vacas são criadas para a carne — e em vez de deixar a pele ser desperdiçada, a transformamos em algo útil, bonito e duradouro. Não há necessidade de criar criaturas pré-históricas só para fazer uma bolsa parecer rara.
Pele de dinossauro cultivada em laboratório? Isso não é reaproveitamento. Isso é inventar um processo industrial totalmente novo em nome da novidade.
O couro natural já atende a muitos requisitos.
Ele respira, amacia com o tempo, é durável e reparável. Conta uma história — uma que dura anos. Enquanto isso, materiais sintéticos ou bioengenheirados frequentemente não atingem o objetivo. Podem parecer legais no começo, mas envelhecem mal, racham ou parecem estéreis.
Entendemos o apelo de algo exótico. Mas "vaca" não precisa ser entediante quando é tratada com cuidado.
E vamos falar sobre recursos.
Criar pele parecida com a de dinossauro em laboratório — mesmo que seja cientificamente possível — tem uma enorme pegada ambiental. Energia, água, infraestrutura e tempo se acumulam, só para imitar algo que já existe na natureza.
Em um momento em que precisamos fazer menos, não mais, faz sentido mesmo fabricar novos materiais do zero... especialmente aqueles baseados em animais extintos?
Então aqui vai um pensamento.
Se não queremos seguir o caminho dos dinossauros, talvez devêssemos parar de agir como eles — acumulando recursos, superengenheirando o mundo ao nosso redor e perseguindo ideias de nível de extinção em nome do luxo.
O futuro da moda não precisa ser ficção científica. Só precisa ser mais inteligente.
Então, quando a tendência do couro de dinossauro finalmente chegar ao TikTok ou à passarela? Sorria, aproveite a estranheza, mas lembre-se:
Temos vacas. Elas têm couro. E ainda não estão extintas.